quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Apenas o vazio, o silêncio e o nada

 Eu me nego a aceitar a mim mesmo como uma máquina, como um sistema de recompensa-punição/prazer-dor.


Gostaria de ir além: alcançar a paz.

Nem recompensa, nem punição.

Nem prazer, nem dor.

Simplesmente o silêncio, simplesmente ser.


Por isso.

Por isso gostaria de desaparecer.

Sumir.

Deixar de existir.

Cansei.

Toda dor implica em uma fuga para o prazer.

E quanto mais sente prazer, mais tem medo de não sentí-la e, portanto, se vicia não somente no prazer como na paranóia que a sustenta e alimenta.

Paranóia de não sentir prazer é uma dupla dor: a própria da ausência do prazer e, mais substancialmente, voltar a sentir dor.

E esses dois fantasmas criam um verdadeiro inferno.

Um cemitério de almas penadas em contínuo trabalho, sempre a assombrar os vivos, a debochar dos seus sentidos e sentimentos.