Eu me nego a aceitar a mim mesmo como uma máquina, como um sistema de recompensa-punição/prazer-dor.
Gostaria de ir além: alcançar a paz.
Nem recompensa, nem punição.
Nem prazer, nem dor.
Simplesmente o silêncio, simplesmente ser.
Por isso.
Por isso gostaria de desaparecer.
Sumir.
Deixar de existir.
Cansei.
Toda dor implica em uma fuga para o prazer.
E quanto mais sente prazer, mais tem medo de não sentí-la e, portanto, se vicia não somente no prazer como na paranóia que a sustenta e alimenta.
Paranóia de não sentir prazer é uma dupla dor: a própria da ausência do prazer e, mais substancialmente, voltar a sentir dor.
E esses dois fantasmas criam um verdadeiro inferno.
Um cemitério de almas penadas em contínuo trabalho, sempre a assombrar os vivos, a debochar dos seus sentidos e sentimentos.
