quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Apenas o vazio, o silêncio e o nada

 Eu me nego a aceitar a mim mesmo como uma máquina, como um sistema de recompensa-punição/prazer-dor.


Gostaria de ir além: alcançar a paz.

Nem recompensa, nem punição.

Nem prazer, nem dor.

Simplesmente o silêncio, simplesmente ser.


Por isso.

Por isso gostaria de desaparecer.

Sumir.

Deixar de existir.

Cansei.

Toda dor implica em uma fuga para o prazer.

E quanto mais sente prazer, mais tem medo de não sentí-la e, portanto, se vicia não somente no prazer como na paranóia que a sustenta e alimenta.

Paranóia de não sentir prazer é uma dupla dor: a própria da ausência do prazer e, mais substancialmente, voltar a sentir dor.

E esses dois fantasmas criam um verdadeiro inferno.

Um cemitério de almas penadas em contínuo trabalho, sempre a assombrar os vivos, a debochar dos seus sentidos e sentimentos.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Ficar em silêncio, acabar com a síndrome de herói

 Ninguém se importa com o que não é importante para si

E ninguém é obrigado a considerar o que é importante para alguém como importante para si

E querer que os outros mudem a si mesmos e mudem o mundo é a mais absoluta prepotência

"Vejam como eu sou legal, vejam como faço isso, aquilo e tal por vocês"

"Problema teu"

"Você não vê como o que estou fazendo é importante para todos e para você também?"

"Você nem me conhece e já vai assumindo que sabe o que é importante para mim. Sabia que isso é uma enorme arrogância? Da minha vida cuido eu, eu sei o que é importante para mim, eu que vivo todos os meus sonhos e dificuldades, pare de tentar achar que você é eu, que minha vida é a tua, e que sou obrigado a realizar o que você considera importante. Vá viver tua vida e boa sorte."

sábado, 25 de janeiro de 2025

Eu já sonhei, muitas vezes, com o tipo ideal de morte

 No alto de uma pequena colina

Toda de gramado e uma grande árvore

Vistosa, frondosa, farfalhante

Estaria eu 

Junto com uma bela moça

Deitado e com a cabeça no colo dela

Esperando meus últimos minutos de vida

Saboreando seu carinho em meus cabelos

Com mãos pequenas e delicadas, dedinhos finos e lindos

Deslizando sobre e entre os fios

E observo

Em toda paisagem ao redor 

O azul no céu

E o dourado do trigal na terra

Num fim de tarde frio de fim de outono e chegada de inverno

Com uma brisa deliciosamente gelada a acariciar meu rosto

E tudo ficar gradualmente mais e mais lento

Até

De repente

Só existir 

A mais pura escuridão

O mais absoluto silêncio

Casados no fim